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Edifício na Avenida da República, n.º 23
Palacete do Chafariz D’El Rei, ou Palacete das Ratas 
Chafariz Rei 
Em vias de classificação 
Palacete do Chafariz D’El Rei, ou Palacete das Ratas  - 1915 
Travessa do Chafariz D’El Rei, nº 4, 4ª e 6 Junta de Freguesia da Sé 

Edifício residencial, de planta compacta rectangular, com uma volumetria que acompanha o declive do terreno, destacando-se um mirante, terraço e pequeno coruchéu, cobertura por telhado de 4 águas e clarabóias. O edifício desenvolve-se por 5 pisos, sendo 2 em parte enterrados. Das fachadas, destaca-se o revestimento em cantaria de aparelho ciclópico e juntas vermelhas, com vãos de diferentes dimensões e morfologias, emoldurados por cantaria. Sobre o Chafariz D’El Rei desenvolve-se uma pequena plataforma ajardinada, com pérgola em ferro e uma pequena casa de fresco com cascata, destacando-se o recurso a embrechados com fragmentos de porcelana chinesa.

Relativamente ao interior, salienta-se a galeria de triplo pé-direito, com a sua cobertura em clarabóia com vidros coloridos, que funciona como principal eixo de circulação e organização do espaço interior, fazendo a ligação entre a entrada principal e a fachada virada a sul. A iluminação natural é conseguida através da referida clarabóia, e pelo vazamento da parede da fachada sul, recorrendo á utilização do ferro e do vidro colorido e vitrais. A ligação através da galeria nos pisos superiores é efectuada através de corredores de passagem articulados com balaustradas de madeira. Os vãos abertos para a referida galeria são enquadrados por interessantes módulos de inspiração “palladiana” tendo como suporte colunas de fuste liso e capitéis jónicos em madeira. A circulação entre pisos é efectuada através de 2 escadas em caracol em lados opostos do edifício. Do restante interior, de destacar a diversidade e qualidade do programa decorativo que combina os trabalhos em estuque ornamentais, relevos figurativos, vitrais, pinturas murais, trabalhos em talha na capela e nas portas e ombreiras nas principais divisões do primeiro piso (sala de fumo, sala e biblioteca).

O edifício caracteriza-se por uma gramática estética dominada pelo ecletismo. O seu programa decorativo, inclui vários estilos integrados de uma forma coerente, recorrendo a elementos neo-árabes, neo-barrocos, neo-clássicos, assim como elementos de inspiração medieval e elementos contemporâneos, como alguns vitrais de linguagem geometrizante com referências “Arts and Craft” e motivos Arte Nova. No seu conjunto, o edifício é representativo de um revivalismo e espírito romântico que se vai prolongar até á segunda década do Século XX no nosso país. Esse espírito romântico e eclético está patente na intenção de conciliar num mesmo espaço soluções decorativas referentes a várias influencias estilísticas, assim como recorrendo a uma grande variedade de materiais e técnicas decorativas e construtivas. O ferro é amplamente utilizado, quer no sistema de clarabóia com vidros coloridos, quer em elementos decorativos e estruturantes.

No modelo historicista presente, é perceptível a componente da funcionalidade do conjunto amplamente divulgada no movimento Arte Nova, notória por exemplo, no sistema de circulação, na organização do espaço interno, com zonas de serviço, zonas sociais e privadas. Álvaro Tição

Acessos:

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