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Edifício da Avenida Defensores de Chaves, 27
Palacete do Chafariz D’El Rei, ou Palacete das Ratas 
Chafariz Rei 
Classificado 
Palacete do Chafariz D’El Rei, ou Palacete das Ratas  - 1915 
Travessa do Chafariz D’El Rei, nº 4, 4ª e 6 Junta de Freguesia da Sé 

Edifício residencial, de planta compacta rectangular, com uma volumetria que acompanha o declive do terreno, destacando-se um mirante, terraço e pequeno coruchéu, cobertura por telhado de 4 águas e clarabóias. O edifício desenvolve-se por 5 pisos, sendo 2 em parte enterrados. Das fachadas, destaca-se o revestimento em cantaria de aparelho ciclópico e juntas vermelhas, com vãos de diferentes dimensões e morfologias, emoldurados por cantaria. Sobre o Chafariz D’El Rei desenvolve-se uma pequena plataforma ajardinada, com pérgola em ferro e uma pequena casa de fresco com cascata, destacando-se o recurso a embrechados com fragmentos de porcelana chinesa.

Relativamente ao interior, salienta-se a galeria de triplo pé-direito, com a sua cobertura em clarabóia com vidros coloridos, que funciona como principal eixo de circulação e organização do espaço interior, fazendo a ligação entre a entrada principal e a fachada virada a sul. A iluminação natural é conseguida através da referida clarabóia, e pelo vazamento da parede da fachada sul, recorrendo á utilização do ferro e do vidro colorido e vitrais. A ligação através da galeria nos pisos superiores é efectuada através de corredores de passagem articulados com balaustradas de madeira. Os vãos abertos para a referida galeria são enquadrados por interessantes módulos de inspiração “palladiana” tendo como suporte colunas de fuste liso e capitéis jónicos em madeira. A circulação entre pisos é efectuada através de 2 escadas em caracol em lados opostos do edifício. Do restante interior, de destacar a diversidade e qualidade do programa decorativo que combina os trabalhos em estuque ornamentais, relevos figurativos, vitrais, pinturas murais, trabalhos em talha na capela e nas portas e ombreiras nas principais divisões do primeiro piso (sala de fumo, sala e biblioteca).

O edifício caracteriza-se por uma gramática estética dominada pelo ecletismo. O seu programa decorativo, inclui vários estilos integrados de uma forma coerente, recorrendo a elementos neo-árabes, neo-barrocos, neo-clássicos, assim como elementos de inspiração medieval e elementos contemporâneos, como alguns vitrais de linguagem geometrizante com referências “Arts and Craft” e motivos Arte Nova. No seu conjunto, o edifício é representativo de um revivalismo e espírito romântico que se vai prolongar até á segunda década do Século XX no nosso país. Esse espírito romântico e eclético está patente na intenção de conciliar num mesmo espaço soluções decorativas referentes a várias influencias estilísticas, assim como recorrendo a uma grande variedade de materiais e técnicas decorativas e construtivas. O ferro é amplamente utilizado, quer no sistema de clarabóia com vidros coloridos, quer em elementos decorativos e estruturantes.

No modelo historicista presente, é perceptível a componente da funcionalidade do conjunto amplamente divulgada no movimento Arte Nova, notória por exemplo, no sistema de circulação, na organização do espaço interno, com zonas de serviço, zonas sociais e privadas. Álvaro Tição

Acessos:

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