Categoria / tipologia: Arquitectura civil/ edifício de habitação, palácio, etc.
Materiais: Alvenaria, betão, ferro, azulejo, madeira.
Propriedade: Particular
Diploma legal: Edital n.º 62/2006
Bibliografia: Chilvers, Ian, Dictionary of 20th-Century Art, Oxford University Press, Oxford, 1999; Châtelet, Albert et Groslier, Bertrand-Philippe (Dir.), Histoire de L`Art, Ed. Larousse, Paris, Larousse, 1995 ; França, José Augusto, A Arte em Portugal no Século XX, Ed. Livraria Bertrand, Lisboa, 1974; Fernandes, José Manuel, e Lurdes Janeiro, Levantamento e classificação da arquitectura modernista da cidade de Lisboa, trabalho realizado para a C.M.L., Vol. I e II, Lisboa, 1998; Fernandes, José Manuel, e Lurdes Janeiro, Levantamento e classificação da arquitectura modernista da cidade de Lisboa, trabalho realizado para a C.M.L., Vol. I e II, Lisboa, 1998; Kruft, Hanno-Walter, História de la teoria de la arquitectura- Desde el siglo XIX hasta nuestros días-, 2 Vol., Ed. Alianza Editorial, Col. Alianza Forma, nº 96, Madrid, 1990; Marques, A. H. de Oliveira, Dicionário da Maçonaria Portuguesa, 2Vols., Ed. Delta, Lisboa, 1986; Monnier, Gérard, Histoire de L`Arquitecture, Col. P.U.F. Presses Universitaires de France, 1ère edition, Paris, 1994 ; Moita, Irisalva, (Coord.) O Livro de Lisboa, Ed. Livros Horizonte e Sociedade Lisboa 94, Lisboa, 1994; Pamplona, Fernando de, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses – ou que trabalharam em Portugal -, Vol. V, 2ª Ed. (Actualizada), Livraria Civilização Editora, Barcelos, 1988; Santana, Francisco, e Eduardo Sucena (Dir.), Dicionário de História de Lisboa, Ed. Carlos Quintas & Associados, Lisboa, 1994.
Casa-Museu Mestre João da Silva
Prédio de habitação unifamiliar serviu como Casa – Atelier do escultor João da Silva, construída no ano de 1938, da autoria conjunta de Ligier/Peige segundo instruções do Mestre. O imóvel é constituído por dois edifícios de planta em rectangular com pátio central. Este apresenta uma frontaria com várias janelas entre as quais um nicho tendo do lado esquerdo o portão de entrada e uma porta central possuindo aquele encimadas as letras “J. da S.” No lado Sul possui um jardim no centro, com um lago octogonal e uma zona envolvente, estando à esquerda a entrada no Museu, constituída por quatro colunas, e ao centro a porta em “meia-lua”, da galeria, com quatro degraus de acesso. À direita situa-se a zona de acesso ao 1º andar do imóvel. Neste existe um painel de azulejos com a data de 1938 da autoria do artista, representando a figura de Minerva gravada na base de duas colunas, e ao centro incrito o lema “SPRETAE INJURIAE FORMAE” o lema do autor, (Desprezo quem injuria as formas) inscrito num azulejo da autoria do próprio João da Silva e do Pintor Conceição Silva. O edifício apresenta características estilísticas de influência do Bauhaus tardio acrescidas de influências maçónicas. No piso do jardim está desenhado, em calçada portuguesa, o quadrado, o círculo e o rectângulo, as “três da principais figuras geométricas da secção áurea”. O lago central em forma octogonal apresenta as quatro forças da natureza alternadas com os respectivos deuses. Os quatro degraus de acesso à Galeria significarão de novo as 4 forças da natureza, “…que elevam o iluminado ao Templo”. Existe a particularidade de o portão, os azulejos e as ferragens nas portas serem também todas originais e da autoria e concepção do próprio Mestre. Todas as janelas são de guilhotina, excepto as do R/c do n.º 11/A. A escada do R/c para o 1.º andar evolui “em caracol” para aproveitamento do espaço. As paredes são de cimento com duplo revestimento para a conservação e estabilização da temperatura. O tecto do atelier é constituído por uma grande superfície de envidraçado em forma de clarabóia para dar luminosidade às esculturas. O autor visava e conseguiu criar um espaço único que reunisse as funcionalidades de habitação, zona de trabalho, sala de exposições e biblioteca. Esteticamente, as opções que revelam um posicionamento nitidamente criativo do autor face ao imóvel, o que o liga ao conjunto da sua obra. É desta forma que, nos anos 30 do Século XX surge, por sua vontade, num projecto dinâmico e de vanguarda, um imóvel que preserva todo o seu espólio, incluindo 4200 desenhos e cerca de 5000 peças, podendo constituir, conjuntamente com a originalidade exemplar do edifício, um verdadeiro Valor Municipal. Carlos Cabaço