O chamado Bairro Azul, construído ao longo dos anos 30 do Séc. XX, apresenta-se hoje, em pleno Séc. XXI, quase inalterado na sua essência e no seu conjunto. Situado na Freguesia de S. Sebastião da Pedreira, a sua construção fora anunciada ainda em 1920, tendo tido origem na ideia de se criar o então designado Bairro de França.
As novas ruas do Bairro Azul inovaram o tecido urbano e a arquitectura da cidade na sua época, sinal de modernização do gosto por imposição institucional, era o exemplo de uma arquitectura protagonizada por engenheiros civis, que traçaram os projectos, como então se fazia na cidade.
O facto de ter estado relativamente isolado relativamente ao resto da cidade só lhe acrescentou maior significado, tanto do ponto de vista estético-paisagístico como do ponto de vista arquitectónico e social; o isolamento relativo preservou-lhe a autenticidade e a integridade. Nele se podem observar inúmeros pormenores que vão desde os da Art Déco e modernistas aos das artes decorativas aplicadas à arquitectura. O ângulo aparentemente estranho do plano do Bairro resultava do desenho de Cristiano da Silva, que planeara uma vasta urbanização para 1930, devendo aquela coroar o prolongamento da Avenida da Liberdade com arruamentos em simetria, de cada lado do actual Parque Eduardo VII. Já na viragem do Séc. XIX para o Séc. XX, aquando da construção das Avenidas Novas, o estilo ecléctico europeu fizera a sua aparição em Lisboa, tendo sido substituído no desenho das fachadas pelo estilo Art Deco, no início dos anos 30. E foi em pleno período Art Deco, cujo expoente mais expressivo é o chamado Bairro Azul, que a arquitectura modernista passou a dominar o desenho das fachadas.
Segundo palavras de Augusto França, ao referir-se ao Bairro, já “Norte Júnior…definiria um Bairro de boa burguesia, o Bairro Azul. Este definiu um gosto derivado do “Arts Déco”, jamais francamente seguido em Portugal...a vários títulos, e na sociologia urbana da capital…
As influências do movimento moderno, na linha da exposição das Artes Decorativas em Paris (1925), traduziram-se no enriquecimento simultaneamente formal, profuso e contido das fachadas, num amplo vocabulário decorativo. O conjunto representa assim um dos exemplos mais significativos do modernismo.
Carlos Cabaço