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Estatuária e Escultura - Chiado
Verdade 
Verdade 
Verdade  ( 2001 ) Largo Barão de Quintela 
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Figura de referência da literatura portuguesa, José Maria Eça de Queiroz (1845-1900) é considerado um renovador da prosa portuguesa, no realismo com que se expressa o seu génio criativo, de estilo descritivo e irónico, de forte pendor crítico, não perdendo qualquer oportunidade para questionar os valores estabelecidos. Se atinge a notoriedade com “O Crime do Padre Amaro”, torna-se emblemático com o realismo descritivo que imprimiu n’ ”Os Maias”, tendo sido Lisboa o cenário de grande parte das suas obras e certamente o seu fascínio. O original em lioz, da autoria de António Teixeira Lopes, foi transferido para o Museu da Cidade dando lugar à réplica em bronze que se exibe no Largo Barão de Quintela. Escondida entre a R. do Alecrim e a R. das Flores, resguarda-se, no jardim, da tragédia que um dia o escritor contou, num convite à pausa a quem por ali passa. Nascida da vontade de outros homens das letras de o homenagear e do génio criativo do escultor, esta peça intitulada “Verdade” celebra a personalidade de Eça e toda a sua obra escrita. Inspirado na frase «Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáphano da phantasia», o artista evoca o diálogo eterno que se estimula na relação entre o escritor e a sua imaginação. Com paralelismos vários a começar pela obra literária de onde foi retirada a frase - “A Relíquia” – Teixeira Lopes dá corpo à metáfora literária, representada na alegoria de um feminino nu e sensual, apenas parcialmente coberto por um panejamento indutivamente transparente. Detemos nesta apreciação, por um lado o que se observa e, por outro, o que se pressente na dialéctica entre razão e imaginário. De grande elegância naturalista contrasta com a interpretação realística da figura de Eça de Queiroz. É, também, em diálogo que estas figuras se relacionam escultoricamente, ambas sedutoras e seduzidas. Nelas, observa-se o seu total abandono, da Verdade ao seu Autor e este, claramente a ela subjugado, naquilo que foi todo um exercício de escrita. Sobre o manto da fantasia descaem todos os olhos, incluindo os dele que sobre ela, Verdade, se detêm até aos dias de hoje. Conforme vamos descendo a Rua do Alecrim somos surpreendidos pela excelência da narrativa plástica que, com subtileza, convoca a literária queirosiana.

Maria Bispo

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