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Estatuária e Escultura - Neptuno
Sete Rios 
 
Sete Rios  ( 1999  -  ) Rotunda de Sete Rios 
No centro do mundo, nasceu uma árvore. Sete Rios ergueram-se nos seus ramos gotejantes para convocarem o nome do lugar. E a sua farpa de aço elevou-se sobre o ruído da silhueta urbana ao trespassar a cidade no epicentro de um novelo de ruas e viadutos em trânsito, cortando ortogonalmente o plano das linhas de comboios em constante fuga. Eixo metafórico ou mecanismo simbólico daquele cosmos, como uma antena que propaga a aura imagética do objecto artístico, José Aurélio inscreveu aqui a referência do local. Síntese do perfil de um obelisco, a obra parece accionar um movimento perpétuo de forças bidireccionais que irradiam do céu e do sol para banharem o território em redor e se projectam da terra como energias telúricas e aquáticas, dispersando-as nas alturas.

Com um longo percurso expositivo iniciado em 1958, José Aurélio desenvolve intervenções de Arte Pública, no país e a nível internacional, e encontra-se representado em colecções de diversos museus europeus, nipónicos, norte e sul-americanos. Abraçando um vasto leque de escalas, registos e técnicas, o autor labora em vários suportes, desbravando as suas potencialidades, fruindo plenamente o saber fazer, num «sagrado amor pela matéria», nas palavras de Alberto Carneiro. No entanto, afirma-se como um escultor de rua, aliás parece ser esse o papel artístico com o qual mais plenamente se identifica, numa heterogeneidade plástica que não fragmenta, mas antes reforça a liberdade primordial que tem caracterizado a sua obra, sempre atenta, generosa e disponível na originalidade da resposta à encomenda. Mentor de outros trabalhos proeminentes como as gárgulas integradas no edifício da Torre do Tombo (1988), em Lisboa, José Aurélio deixa clara a sua atitude: «Nego por princípio e temperamento a escultura bibelot./ A escultura precisa de muito espaço e muita gente (…)». “Sete Rios” reitera a ética artística deste testemunho, a opção democrática que subjaz à arte pública, as dimensões plásticas que o horizonte do território clama, o processo abstractizante que transborda da ideia para o material, ainda que inquietada pelo bulício visual e sonoro que a envolve. Silvia Câmara

Acessos:
Carris – Autocarros - 16, 31, 54, 70, 701, 726, 746, 758, 768
Metro – Sete Rios
CP Linha de Sintra/Azambuja | Fertagus– Sete Rios
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