Em 30 de Março de 1922 Gago Coutinho e Sacadura Cabral efectuaram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, entre Lisboa e o Rio de Janeiro. Começada com o hidroavião “Lusitânia”, foi concluída com êxito com o “Santa Cruz”. O feito foi celebrado com o monumento inaugurado em 17 de Junho de 1972, em Belém, 50 anos depois daquele acontecimento. A escultura evoluía ali num cenário em espelho de água, simbolizando o Atlântico. O local escolhido para a sua edificação relacionava-se com a proximidade da doca da partida. De iniciativa camarária, tem por autores o escultor José Joaquim Laranjeira Santos e o arquitecto António Rodrigues Fernandes. Apresenta um pesado pedestal em betão, em forma de cubo e uma estrutura em armação de aço inoxidável; da base abre-se uma asa, de uma leveza invulgar. Desta, complexa e assimétrica parecem progredir, simbolicamente, os vários caminhos que seriam a expressão da persistência heróica dos pilotos. O efeito estético, marcado pelas várias incidências da luz na asa, fazem lembrar as oscilações por vezes tortuosas do esforço para abrir o caminho da Descoberta. Do centro daquela emerge o sextante, um sexto de círculo, instrumento de navegação que pela conjugação visual de dois pontos num espelho mede com grande rigor os ângulos, as alturas angulares dos astros e as distâncias entre dois pontos da costa. Cedo surgiram resistências a esta linguagem plástica, pois nas palavras do Arqtº Eduardo Bairrada, em 1985, dirigidas ao então Vereador Pinto Machado da C.M.L., a obra «… não fala ao português médio…e…o próprio Almirante Américo Thomaz, quando inaugurou o monumento, ficou muito decepcionado…». Foi assim substituída pela que existe actualmente em Belém, uma réplica em tamanho natural do hidroavião “Santa Cruz”, da autoria de Soares Branco. O certo é que, com a peça de Laranjeira Santos, se tinha inaugurado em Portugal um monumento moderno, abstracto, elogiado com destaque na prestigiada revista “Public Art – New Directions”, de Nova Iorque. Após ter sido retirada de Belém, foi recuperada e por fim colocada na Rotunda no cruzamento da Av. Rio de Janeiro, em 2001. Carlos Cabaço
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