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Estatuária e Escultura
Mulher Vendo-se ao Espelho 
 
Mulher Vendo-se ao Espelho  ( 1953  -  ) Jardim do Campo Grande 
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Arborizado no início do século XIX, aquando da plantação da zona envolvente à Igreja dos Santos Reis Magos, onde, com regularidade, todos os Outubros, se realizava a feira de gado, panos e ourivesaria, o jardim do Campo Grande foi sujeito a vários melhoramentos ao longo desse período, tornando-se um espaço de excelência para os destinos lúdicos da sociedade e assumindo-se como o local elegante de passeio, embora ciclicamente se apresentasse votado a algum abandono. Em 1945, o arquitecto Keil do Amaral é encarregado de o remodelar, bem como os respectivos equipamentos. Fê-lo na dualidade que advém, por um lado da sua ampliação e, por outro, da maior privacidade relativamente à envolvente. Para além da recuperação dos usos já existentes propõe outros que albergam e harmonizam, quer o conceito romântico residente, quer o entendimento modernista do espaço jardim, ora articulado nos relvados informais, ora na convivência das várias artes, nascidas estas no próprio conceito de projecto. Neste contexto nasce junto ao lago a versão, em pedra, da peça em bronze “Femme à la toillet” ou “La femme au miroir”, de grande elegância, com que Canto da Maya se apresenta no Salão dos Independentes em Paris, 1935, hoje da colecção do Centro de Arte Moderna. O artista concilia na sua obra uma sensibilidade coeva que revestiu com a gramática simbolista e déco. De grande eficácia estética concebe as suas peças na retórica geometrizante de pendor decorativo. A “Mulher Vendo-se ao Espelho” evidencia, nesse universo, um discurso imagético que se revela na sensualidade da sua representação pelo mistério inerente ao acto, simultaneamente introspectivo e narcisista, e pelo voyeurismo que expõe uma nudez, tão frágil quanto o processo que tornou público um ritual privado. Naquela intimidade, silenciosa e solitária, de um feminino em tempo de interrogação, encena-se a dialéctica não apenas modelada na mulher, que se contempla e é contemplada, mas também a que é vivida no jardim, permitindo o instante de privacidade concomitante ao uso do espaço público. Maria Bispo
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