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Estatuária e Escultura - Neptuno
Memorial a Antero de Quental 
 
Memorial a Antero de Quental  ( 1991 ) Jardim França Borges (Praça do Príncipe Real)  
O monumento ao poeta, filósofo e pioneiro do socialismo em Portugal, foi inaugurado em 1991, no Jardim do Príncipe Real, evocando o primeiro centenário da sua morte. De iniciativa municipal, não se lhe pretendia erigir uma nova estátua, pois já existia uma em Lisboa; antes se queria condensar num monumento o seu pensamento. Na pedra ancestral, no aço e no betão, o trabalho de Lagoa Henriques procura dar corpo às suas ideias. Resume nos materiais uma vida, a de uma das figuras mais complexas, densas e proeminentes do panorama cultural novecentista português: Antero de Quental. Promotor da aspiração ética do homem na busca de novos caminhos para ascender à Verdade, à Liberdade e à Justiça, elegeu a poesia como voz da Revolução. A esta acedia com um espiritualismo forte. No remate da sua análise às “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares” preconiza que a Revolução seria «o Cristianismo do mundo moderno». A mecânica do Universo e da Ideia esclarecia-a no Soneto gravado no monumento: «Coração indomado! ...O céu da Ideia / Em vão o buscas nessa imensa esfera /...O Paraíso e o templo da Verdade. / Ó Mundos. Astros. Sois. Constelações! / Nenhum de Vós o tem na imensidade.../ A Ideia o sumo Bem. O Verbo. A Essência. / Só se revela aos homens e às Nações / No céu incorruptível da Consciência!». Outro, do escultor: «Um espírito habita a Imensidade / Uma ânsia cruel de Liberdade / Agita e abala as formas fugidias». A «pedra milenária», esculpida pelo tempo e pelos elementos da natureza, reflectia as «Vozes do mar das árvores do vento. / Eu julgo igual ao meu o vosso tormento...» é o estado de alma romântico, é da densidade da Consciência individual que a verdadeira Liberdade pode partir para transformar as Nações, não do rigor geométrico e distante do Universo na sua imensa Esfera. Carlos Cabaço
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