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Estatuária e Escultura - Chiado
Maternidade 
 
Maternidade  ( 1989 ) Jardim Amália Rodrigues 
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Sentada, a mãe não olha o filho que tem no seu colo. Por momentos, o seu olhar desviou-se e contempla um ponto distante no mundo em redor. Mas esse horizonte que a absorveu, alia-se à consciência do seu corpo no contacto com a criança que segura. A tranquilidade, que repousa sobre as suas mãos, traça um gesto maternal perene e atento, num contraste com a impetuosidade alegre e inocente da criança. E se no todo se descortina algo de esfíngico que nos remete para a universalidade e intemporalidade da criação, para a essência da fecundidade pré-histórica de uma Vénus de Willendorf, no interior da volumetria voluptuosa da sua carne de bronze, fervilha uma fertilidade ancestral e nutre-se esse elo emocional inquebrável entre mãe e filho. É nesta dialéctica, entre o monumental e o humano, que se inscrevem as esculturas de Fernando Botero. Nascido em Medellín na Colômbia, cedo na obra do autor se vislumbra uma reflexão plástica sobre a questão da metamorfose dos corpos, sobre a problemática da representação do cânone humano, prosseguindo o conceito que mais tarde viria a afirmar: «Arte é deformação». Todavia, durante anos, foi apenas no registo pictórico que Botero criou a sua gente generosa na presença carnal e lauta na apropriação espacial colmatada pelos seus corpos. O autor concebe as suas primeiras esculturas na primeira metade da década de 60, consubstanciando finalmente uma vocação de tridimensionalidade há muito observada nos seus desenhos e pinturas. Associadas frequentemente ao plasticismo das esculturas de Gaston Lachaise, é na sensualidade e no erotismo latentes que Botero radica o impulso estético para os traços formais das suas obras. Com profundo conhecimento da História da Arte, congregando referências pré-colombianas, populares latino-americanas com influências europeias que podem provir tanto do Renascimento, como do período clássico de Picasso, Fernando Botero tem nesta sua “Maternidade” uma das obras mais emblemáticas entre as patentes na exposição “Escultura Monumental”, realizada em 1997, na Praça do Comércio, hoje figura de convite para o caminho que curva no Jardim Amália Rodrigues. Silvia Câmara
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