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Estatuária e Escultura - Adamastor
Grade 
 
Grade  ( 1998 ) Praça do Município 
Entendido como um escultor de rupturas e um dos pioneiros do abstraccionismo em Portugal, Jorge Vieira percorreu a escultura com humor, agressividade e sentido interventivo. A contemporaneidade da sua obra plástica condensa os discursos surrealista e abstraccionista numa vasta produção que vem a ser agraciada em diversas ocasiões. Premiado internacionalmente, em 1952, com a peça “O Monumento ao Prisioneiro Político Desconhecido” é sob a orientação de Henry Moore e de Reg Butler que se torna aluno da Slade School of Fine Arts. Para a Câmara Municipal de Lisboa e destinada à Praça do Município concebe a “Grade”, uma das suas últimas obras, cuja encomenda lhe permite consubstanciar o que considera ser «o grito de cor» que aquela «praça cinzenta» parecia exigir, interrompendo a «uniformidade da arquitectura envolvente». No conjunto de elementos que a constituem, revela-se a cada passo um dinamismo cadenciado ora nos módulos, ora no cromatismo emanante. Recortadas de energias, estas não-figuras percepcionam-se aprisionadas no silêncio do metal e desenvolvem-se na rede, a partir de núcleos ovóides aquém das linhas que as amparam. No desenho da praça, entre o espaço aberto e o espaço construído, no limiar da superfície entre a calçada e o parque subterrâneo, ostentam uma cromia que sendo própria do seu autor, jamais o foi nos seus metais. Irrompem, isoladas, três peças que a mão do escultor libertou na subtileza e na ironia, prenúncio da interrupção crítica que democratiza qualquer lugar. Brilham na ambiguidade do insólito e revestem-se de transparências que se entrevêem ou adivinham, articuladas nas características intrínsecas da peça, propondo um jogo de revelações. O desenho-estudo enuncia nas linhas e pontos um ritmo que na obra feita se sintetiza nas formas ovóides, nos filamentos que as unem e na retórica cromática; desenvolve-se numa imagética de sinais que nos indiciam uma pauta musical, ecoando Miró. Colorida na pausa que provoca naquela praça da cidade, a percepção da “Grade” passa pelo desfrutar da jovialidade crítica com que Jorge Vieira, quase no final da sua vida, a impregnou. Reclamante de sonoridades transparentes, erguida na indução do silêncio metálico, exige de nós o grito que o artista, em cor, então concertou. Maria Bispo
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