Em Agosto de 1861, com o objectivo de determinar a forma como devia ser festejado o aniversário da «Revolução que tinha libertado a nação portuguesa do jugo espanhol», foi criada a Comissão Central 1.º de Dezembro de 1640. Integrando figuras destacadas da época como Alexandre Herculano e Anselmo Braancamp Freire, decidiu-se levantar «um grandioso marco de pedra e bronze, para attestar à posteridade, os arrojados feitos d’aquelles, que se estremaram em 1640, libertando-nos», tendo sido escolhido para o projectar o arquitecto António Thomaz da Fonseca. Em Outubro de 1875 foi determinado, em sessão camarária, que ficaria localizada no princípio da alameda do Passeio Público. Marcando o início da futura Avenida da Liberdade, na actual Praça dos Restauradores, que ditou o final de um jardim ao gosto romântico, abrindo a expansão da cidade para Norte.
É constituído por um obelisco, sobre um ático quadrangular, tendo a Norte, as armas de Lisboa e a Sul, o escudo nacional. Assenta sobre um pedestal ornamentado por duas figuras aladas em bronze: uma feminina do escultor Simões de Almeida, voltada para Norte, representando a Vitória que ergue com a mão direita uma coroa de louros, segurando na esquerda uma palma e tendo depostos a seus pés paramentos militares; a outra masculina, da autoria de Alberto Nunes, a Sul, representando o Génio da Independência que levanta, com a mão direita, uma corrente quebrada. Nas outras duas faces encontram-se troféus de armas. As datas mais significativas da Restauração da independência nacional foram inscritas nas quatro faces do pedestal.
Alguns críticos defensores do antigo boulevard romântico apelidaram-no de «falo pelintra e patriótico erguido à memória das tísicas ideias do defunto Passeio Público». Eça de Queiroz, que também não ficou indiferente a esta polémica, referiu-se a ele, em “Os Maias”: «um obelisco com borrões de bronze no pedestal ergue um traço de cor de açúcar na vibração fria da luz de Inverno».
Laura Trindade