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Estatuária e Escultura
Adamastor 
Adamastor 
Adamastor  ( 1921  - 1927 ) Miradouro de Santa Catarina 
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A peça, “Adamastor”, de inspiração camoniana, épica no elogio que lhe está subjacente afronta o tema numa gramática alusiva ao barroco, com uma composição de forte pendor dramático. Da autoria de Júlio Vaz Júnior, discípulo de Teixeira Lopes, o escultor foi várias vezes agraciado, nomeadamente, em 1947, com a medalha de ouro na Exposição do Rio de Janeiro. Com obra em locais como o Palácio de S. Bento e o Museu Nacional de Arte Contemporânea, a sua plasticidade desenrola-se muito ao gosto da época, de inspiração naturalista.

Tirando partido da diferença de escala entre o Adamastor e a figura masculina, apontamento quase imperceptível, visualiza-se uma clara hipérbole esculpida da e na personagem monstruosa. Representativa das dificuldades, medos e mistérios que constituíram a passagem do Cabo da Boa Esperança, implantada no miradouro de Sta. Catarina, face a face com o Tejo, a frente desta obra só é vislumbrada depois de percorrido o jardim que a envolve. A sua descoberta faz-se lenta e urbana, revelando-se primeiro no rochedo de onde nascem as costas da figura do Adamastor, depois na sensação de aprisionamento deste, cativo pela coragem que desbravou os mares desconhecidos. Emerge poderosa, iludindo-nos na sua fragrância marítima, tortuosamente tratada como um deus do mar, nas muitas ondulações do material rochoso, que definem o rosto, parte do tronco e braços. Prende-nos o olhar, profundo tanto na expressão, como nos sulcos pétreos que a criam, avançando sobre nós a inquietude e a fragilidade inerente à condição humana. O extrato do poema de Camões inscrito na lápide, à semelhança de um epitáfio, anuncia a peça num desafio à sua contemplação.

Entre a figura do marinheiro, em bronze, e o monstro/deus, articula-se um diálogo ensurdecedor, decorrido na violência entre aventureiros e monstros, entre o domínio e a obstinação, num brado que nem sempre a tempestade citadina permite escutar.
 
Maria Bispo

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