O Convento do Santo Crucifixo das Capuchinhas Francesas, conhecido como das Francesinhas, era uma construção seiscentista que, entre os anos de 1911 e 1935, foi demolida. Nesta data, por ocasião das Festas da Cidade, nasceu aqui em miniatura um bairro de Lisboa Antiga, de reconstituição imaginada por Gustavo de Matos Sequeira. Em 1949 é inaugurado o Jardim das Francesinhas do risco do Arquitecto Cristino da Silva. Desenvolvido em vários patamares, a sua frente organiza-se a partir das escadarias, para a lateral do Palácio de S. Bento, paralela ao rio, na axialidade de uma avenida ajardinada, centrada na peça, “A Família”, que um espelho de água recepciona como símbolo da origem da criação. Com esta peça, Leopoldo de Almeida exigiu no motivo, um
ícone de valor moral de cariz sacro-religioso que organizou num conjunto de três personagens. Conjugou os volumes como se se tratasse de uma peça só e no seu enconchado albergou a trindade, rematada pela pomba abençoada. Na centralidade, a criança - amor, prosperidade e futuro – é acarinhada pela maternidade da figura feminina e protegida no cuidado vigoroso da figura masculina. Sobre um plinto cilíndrico esta peça curva-se à autoridade do Palácio e de tudo o que representa, na introspecção do espaço privado e familiar, por oposição ao institucional e público, na imagética propagandística dos valores que o Estado Novo elegeu, com perfil alegórico e narrativa simbólica. A retórica plástica tridimensional é elegante, equilibrada e credível ao gosto da época. Oscila entre a sobriedade de estilo e a monumentalidade, hábil na apropriação dos espaços de influência e no balanço da representação. Na Família consubstanciou-se o valor moral no espaço de representação que o divulga junto dos destinatários, aqueles que estiveram na génese do próprio conceito. No espaço público, hoje mais lúdico e distante daquele que originou a encomenda, partilha com outras famílias o tempo de infância, instante da brincadeira, reservando-se ao jardim, lugar de informalidades. Maria Bispo
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