Num universo que remonta à plasticidade setecentista do Obelisco Aquático, conjunto escultórico que integra o Jardim das Necessidades, a estatuária e a escultura em Lisboa, percorrem quatro séculos da História da Arte nacional, substanciando uma dimensão patrimonial de assinalável riqueza e diversidade estéticas, representativa de várias gerações de autores, da multiplicidade de discursos criativos, da evolução do conceito e da prática de arte pública e das respostas urbanísticas no trabalho sobre a paisagem.
Na malha urbana da capital, as obras escultóricas dispersam-se predominantemente pelos seus principais eixos de desenvolvimento, conglomerando-se numa lata faixa que progride de sul para norte e numa margem litoral que parte da zona de Belém, a ocidente, e culmina no Parque das Nações, a oriente, um dos mais relevantes núcleos escultóricos da cidade, concebido e instalado aquando da EXPO’98, onde a produção nacional convive com criações internacionais de considerável prestígio. Em Lisboa, destacam-se ainda outros epicentros esculturais, como o romântico Jardim Guerra Junqueiro, também denominado Jardim da Estrela, o estado-novista Parque Eduardo VII e o Jardim da Fundação Calouste de Gulbenkian, também notável pela reunião de obras de alguns criadores portugueses e estrangeiros de vulto.
Neste cenário do espaço público, a intervenção artística ao perpetuar-se, esbate-se no quotidiano da paisagem citadina. A perenidade que geralmente assiste aos materiais eleitos na sua concepção, o seu carácter público que convoca tão apenas um olhar passageiro e não a intencionalidade de visita, como acontece com bens expostos nos espaços museais ou galerísticos, a sua constante e desinformada presença, activa um processo de atenuamento que importa combater, tornando estas obras parte viva na experiência da urbe.
A preservação deste vasto património artístico e cultural exige uma permanente e contínua manutenção, segundo critérios e princípios regulados nos documentos de âmbito legal nacionais, europeus e internacionais. As acções de conservação preventiva e curativa, as intervenções de restauro e a respectiva divulgação, incluem-se numa política de património que transcende o próprio objecto, favorecendo a promoção das identidades e da memória, o exercício da cidadania e do respeito inter-cultural. Nesse sentido, todas as criações artísticas da cidade de Lisboa devem ser objecto da maior atenção, na tentativa da dissuasão de actos de vandalismo e da colmatação dos factores de degradação endógenos e exógenos, por forma a assegurar a heterogeneidade da expressão no espaço urbano.